Palavra do Presidente

01/07/2009

Um Acordo Satisfatório

Sou da geração que viveu o período de planos econômicos mirabolantes e seus impactos negativos na sociedade brasileira. A classe trabalhadora era a vítima principal desses tempos de insegurança e muito desemprego. Os sindicatos tinham uma relação de confronto com o setor patronal. Não era tarefa fácil negociar reajuste de salário quando a inflação disparava atingindo patamares altíssimos. De um dia para o outro o nosso dinheiro se desvalorizava consideravelmente.


Quando em meados de outubro de 2008 estourou a crise econômica mundial, foi inevitável a lembrança desse passado recente da nossa história. As piores previsões de quebradeira geral voltaram a atormentar nosso pensamento. Os primeiros a serem atingidos foram os companheiros do setor produtivo, muitos perderam seus empregos. Quem não se lembra, no começo deste ano, quando a EMBRAER demitiu de uma tacada só cerca de 4 mil funcionários.


Mas, nós brasileiros aprendemos com as crises caseiras, por isso que a turbulência econômica atual não nos abateu e seguimos adiante fazendo a nossa parte trabalhando e defendendo nossos direitos, através das entidades sindicais.


Na última Campanha Salarial dos Rodoviários isso ficou bem claro. Em nenhum momento entramos na conversa fiada dos patrões e muito menos demos crédito às ameaças de queda no número de postos de trabalho na categoria, sempre estivemos focados no atendimento à pauta de reivindicações dos trabalhadores. Explorar a crise mundial na mesa de negociação foi uma estratégia que não decolou. O resultado foi que os empresários do transporte passaram a discutir com mais seriedade e menos encenação.


Conseguimos chegar a um denominador comum para as partes. Dentro do contexto, 7% de reajuste sobre os salários e outros benefícios foram bastante satisfatórios. A campanha salarial unificada com outras categorias co-irmãs do Estado de São Paulo e com a FTTRESP foi decisiva para fechar esse acordo.


Outras categorias, como  disse anteriormente, no caso dos trabalhadores das indústrias, sentiram mais o impacto da crise e aceitaram negociar a redução de salários em troca da manutenção do emprego.


Não posso afirmar em outros países, mas no Brasil, acho que o pior já passou e isso se deve a nossa enorme capacidade de superação que aprendemos com as experiências passadas.

 

Francisco Demontiê Leite - Presidente

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